segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A Ditadura da Beleza e o Sofrimento Psíquico

 
No livro Vigiar e Punir (1975), Foucault faz uma narrativa da tortura e esquartejamento de Damiens, um assassino parricida, em 1757. A agressividade, o modo da execução, revela o espírito daquela época: a tortura focada no corpo e de como esta tortura, com o passar dos séculos, transmutou-se em outra coisa, transferida para outro lugar. Passando do corpo para alma, deixa também de ser prerrogativa de quem detém um poder religioso, passa a ser prerrogativa do poder legal, do poder educacional, do poder psiquiátrico, do poder presente no trabalho etc. Em outras palavras, passa a ser tortura difundida, disseminada. Esta disseminação por diversos setores do cotidiano, tão introjetadas, que transformou-se em imperceptível, oculta uma sociedade contemporânea com muitos traços esquizofrênicos, trazendo em si, um certo grau de prazer por ser torturado, um desejo compulsivo de não ser livre, de delegar poderes aos opressores, hoje disfarçados por outros rostos, também carrascos e cumpridores de ordens. Diariamente encontramos com eles no trabalho, nas ruas, no trânsito, nas escolas e em diversos lugares. Cabe perguntarmos aqui, onde estaria escondido o grilhão aprisionante nos dias atuais, mas não é difícil perceber que em boa parte, tais correntes estejam embutidas nos mecanismos pentecostais, evangélicos e messiânicos das religiões. Cantarolando seus hinos, replicando suas palavras em praças e em lugares ‘profanados’ como sagrados, templos de disseminação de palavras de controle. A moral que emana da igreja tende a moldar, dominar a alma, e este mecanismo se sequência na educação escolar, no mundo do trabalho no mundo cultural e de informação, estendendo estes moldes afim de tornamos mais dócil ainda. Na escola, somos moldados e entregues ao mundo, para cumprirmos nossa jornada de trabalho, sem questionar e sermos dignificados por contribuirmos para o desenvolvimento humano, trabalhando horas a fio, por uma remuneração para lá de injusta. Nosso descanso, quando é permitido, fica à mercê da televisão, que nos vende uma falsa percepção da realidade, expostos a comerciais publicitários construídos minunciosamente para introjetar em nós, desejos por consumir e se apropriar de ideias que nos mantenham na roda do consumo alienante. Neste processo se moda o sujeito alienado de si e da realidade. Indivíduos voltados ao consumo, a quantificação das coisas, buscando sempre ser possuidor de algo mais e melhor, dando a sua vida ares de competição e se sentido melhor que os outros, quando possuidor de mais, viajar mais, consumir mais etc.
Somos prisioneiros de um sistema e ao mesmo tempo algozes de nós mesmos. Nos mutilamos físico e mentalmente, no caminho da metamorfose   imposta pelo domínio do desejo do outro.  Nos transformamos em um produto inacabado, num corpo rascunho, sedento por mudança, constantemente movido, imperceptivelmente, por modelos inatingíveis de perfeição e satisfação. 

Angelo A Lopes
 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

"Cinema e Psicanálise"

Será amanhã, dia 19/10, a partir das 15h00, a análise do filme "A Pele que Habito", que será realizada pelas Psicanalistas Prof. Araceli Albino e Mariléia C. Rosa.

Investimento: R$30,00
Local: NPP - Rua Humberto I, 501 - Vila Mariana - São Paulo - SP 
Contato: (11) 5082-4044
 
 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Alteração na data do "Cinema e Psicanálise".  

A análise do filme "A Pele que Habito", que será realizada pela Psicanalista Prof. Araceli Albino, será no dia 19/10 a partir das 15h00. 

Investimento: R$30,00
Local: NPP - Rua Humberto I, 501 - Vila Mariana - São Paulo - SP 
Contato: (11) 5082-4044


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

"Cinema e Psicanálise"

Finalizada a votação para o "Cinema e Psicanálise", e o filme escolhido para que seja realizada uma análise psicanalítica, com 52,54% dos votos, foi: "A Pele que Habito".

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

terça-feira, 20 de agosto de 2013

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Cinema e Psicanálise

     
      Como vocês já devem saber o NPP realiza, a cada dois meses, o "Cinema e Psicanálise", onde psicanalistas fazem uma análise de filmes, para que possamos entender e discutir os conteúdos psicanalíticos que existem dentro deles.
      A partir de agora, queremos a sua ajuda para a escolha dos filmes e para o próximo encontro, que será no dia 19 de Outubro, colocamos três opções para você escolher.
    
 
 
Para votar em um dos filmes clique no link abaixo: 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A Travessia

"...o amor é uma grande idealização. Sim, mas e daí? Que são os sonhos senão grandes idealizações? E, portanto, o que é o psicanalista senão aquele com quem vivemos um amor?"

Alguém muda alguém? Pergunta capciosa. De chofre, duas respostas possíveis:

"Claro que não! Ninguém muda ninguém, a mudança parte da força de vontade de cada um..."

ou

"Sim, ninguém consegue mudar sozinho. Sempre precisamos de alguma ajuda...."

Quem está com a razão? Em parte, ambos.

Em algum lugar, Freud nos diz que a Psicanálise teria como limite as margens do rio. A tarefa seria ajudar o analisante a encontrar o fio da meada, cabendo-lhe inteira liberdade em decidir por entrar ou não.

O que o levou a querer aproximar-se do rio?

O analista? A análise? O auto-conhecimento? A resposta precisa seria: o amor pelo analista.

Alguém muda alguém?

Se tomarmos "mudar" por "transformar", sim! Sem dúvida.

Ora, o que faz a criança recusar suas tendências agressivas e entrar na cultura senão o amor pelos pais? Logo, é pelo amor aos pais que a criança "muda de idéia".

E, quem amamos? Amamos aquele em quem encontramos uma idealização específica: a verdade sobre nós. Com meu objeto de amor, encontro com minha verdade oculta, secreta. Nenhuma experiência subjetiva se equipara ao amor quando se trata de motivação para mudanças.

Mudamos para não perder um amor, para conquistar um amor, para ter a possibilidade de viver um amor, etc.

Ok, o amor é uma grande idealização. Sim, mas e daí? Que são os sonhos senão grandes idealizações? E, portanto, o que é o psicanalista senão aquele com quem vivemos um amor?

Se o narcisismo é um componente fundamental da libido, se o amor é a experiência de ser amado por um ideal (nosso) e se isso, mais do que tudo, nos impulsiona a deixar o fastio do sintoma, que outra coisa pode se valer o analista para alcançar seu desejo?

E qual é o desejo do analista?

O desejo do analista eu não sei, não entra neste jogo. O desejo de analista é fazer a análise e o analisante desenvolver o desejo por amar e trabalhar.

Trata-se de uma trapaça chamada de "manejo transferencial". O analista maneja o amor transferencial de seu analisante para fazê-lo (em nome deste amor) querer aproximar-se do rio.

Se ele livremente decidir por entrar no rio, seguirá o curso de seu desejo e, no melhor dos casos, nem se lembrará do analista, seu "amor de travessia".





segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Filme Augustine

Pessoal, acabo de assistir o filme que a professora Araceli recomendou na aula da pós-graduação - "AUGUSTINE" - A história se baseia no professor Jean-Martin Charcot, em que estuda a doença da época, a histeria, que atingia principalmente as mulheres. Uma das pacientes é  Augustine, que chega ao hospital, por ter tido um ataque durante o trabalho.
Vale a pena!! Recomendo!!
 
Por Ximena Ortega

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Cinema & Psicanálise


Neste sábado, 03 de agosto, teremos Cinema & Psicanálise no NPP a partir das 17h00.






Novos cursos no NPP

Em agosto iniciarão novos cursos no NPP, acesse a área de Cursos para maiores informações.